O que acontece se apanhar raiva?

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A raiva é uma doença viral transmitida por animais, que afeta o cérebro e a medula espinhal. Se não tratada, pode levar à morte em quase todos os casos.

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A Raiva: Uma Ameaça Silenciosa e Mortal

A raiva é uma zoonose – doença transmitida de animais para humanos – causada por um vírus neurotrópico, ou seja, que ataca diretamente o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal). Apesar de rara em países desenvolvidos com programas eficazes de vacinação animal, a doença continua sendo uma ameaça global, com alta letalidade se não tratada adequadamente. Este artigo visa elucidar o que acontece no corpo após a infecção, desmistificando alguns aspectos e enfatizando a importância da prevenção.

O Contágio e a Jornada do Vírus:

A transmissão ocorre principalmente através da saliva de animais infectados, geralmente por meio de mordidas ou arranhões profundos. O vírus penetra na pele ou nas mucosas, iniciando uma trajetória silenciosa até atingir os nervos periféricos. Esta fase, conhecida como período de incubação, varia consideravelmente, podendo durar de dias a anos, dependendo de fatores como a quantidade de vírus inoculado, a localização da mordida e a espécie do animal transmissor. Quanto mais próxima a mordida do sistema nervoso central, menor o período de incubação.

A Fase Prodrômica: Sinais Discretos e Alerta Ignorado:

À medida que o vírus se propaga pelos nervos, sintomas inespecíficos podem surgir, mimetizando outras doenças. Febre, mal-estar, dor de cabeça, fadiga, náuseas e alterações de comportamento, como irritabilidade ou ansiedade, podem passar despercebidos. Esta fase prodrômica é crucial, pois o tratamento precoce, nesse estágio, é fundamental para o sucesso.

A Fase Encefálita: A Manifestação da Doença:

Após um período de incubação variável, a doença entra em sua fase encefálica, marcando o início dos sintomas neurológicos característicos. A raiva se apresenta em duas formas principais:

  • Raiva Fúrica: Caracterizada por agressividade extrema, excitação, hiperatividade, delírio, hidrofobia (medo de água) e aerofobia (medo de correntes de ar). Convulsões e paralisia também são comuns.
  • Raiva Paralisante: Apresenta sintomas mais paralíticos, com paralisia progressiva que começa na região da mordida e se espalha pelo corpo. A consciência pode permanecer relativamente preservada, mas a progressão da paralisia leva à morte por falência respiratória.

A Evolução Fatal e a Ausência de Cura:

Independentemente da forma de apresentação, a raiva, sem tratamento, leva à morte em quase 100% dos casos. A falência de múltiplos órgãos, causada pela intensa inflamação e danos neurológicos irreversíveis, é a causa final do óbito.

Prevenção: A Única Arma Eficaz:

A prevenção é a chave para combater a raiva. Vacinação de animais domésticos e controle da população de animais silvestres são fundamentais. Em caso de exposição à saliva de um animal suspeito de raiva, a busca imediata por atendimento médico é crucial. O tratamento pós-exposição envolve a administração de imunoglobulina antirrábica e a vacinação contra a raiva, que, se iniciada precocemente, pode prevenir a doença.

Em resumo, a raiva é uma doença terrível e letal, mas prevenível. A conscientização sobre os riscos, a vacinação de animais e a busca imediata por atendimento médico em casos de exposição são as melhores estratégias para evitar esta ameaça silenciosa. Não subestime a gravidade da doença; a prevenção é sempre a melhor opção.