O que são desvios de linguagem?

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Desvios de linguagem, ou vícios de linguagem, são erros gramaticais involuntários na comunicação oral ou escrita. Resultam da falta de atenção ou conhecimento linguístico, prejudicando a clareza da mensagem. Manifestam-se em diferentes níveis: semântico, fonético e estrutural, comprometendo a eficácia da expressão.

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Desvios de Linguagem: Quando a comunicação tropeça nas palavras

A comunicação, seja escrita ou falada, é a base da interação humana. Para que seja efetiva, precisa ser clara, concisa e precisa. Entretanto, nem sempre conseguimos expressar nossas ideias com a fluidez desejada. Nesses momentos, surgem os desvios de linguagem, também conhecidos como vícios de linguagem, que agem como pequenos tropeços na nossa comunicação, comprometendo a clareza e a elegância da mensagem.

Diferentemente dos recursos estilísticos, que são utilizados propositalmente para criar efeitos de sentido, os desvios são equívocos involuntários, resultado da falta de domínio das normas gramaticais ou de descuido na expressão. Imagine uma orquestra onde alguns instrumentos desafinam: a harmonia se perde, e a música, por mais bela que seja a sua composição, não alcança todo o seu potencial. Da mesma forma, os desvios de linguagem interferem na compreensão e na fluidez da comunicação.

Os desvios podem se manifestar em diferentes níveis da linguagem:

1. Nível Semântico (Sentido das palavras): Ocorre quando utilizamos palavras com significado inadequado ao contexto, gerando ambiguidade ou distorcendo a mensagem. Exemplos incluem:

  • Pleonasmo vicioso: Redundância desnecessária. Ex: “Subir para cima”, “entrar para dentro”.
  • Cacofonia: Combinação de sons desagradáveis ou sugestivos de outros termos. Ex: “Uma mão na boca dela”.
  • Barbarismo: Emprego de palavras estrangeiras desnecessárias, quando existe um equivalente em português. Ex: “Sale” em vez de “liquidação”.
  • Solecismo: Erro de sintaxe, concordância, regência ou colocação pronominal. Ex: “Fazem dois anos que não o vejo” (o correto é “Faz dois anos”).

2. Nível Fonético (Sons da fala): Refere-se à pronúncia incorreta das palavras, troca de fonemas ou articulação inadequada. Embora mais comum na oralidade, também pode se refletir na escrita, principalmente em contextos informais. Exemplos:

  • Assonância excessiva: Repetição de sons vocálicos que prejudica a clareza.
  • Dislalia: Dificuldade em articular certos sons. Ex: Trocar “R” por “L”.

3. Nível Estrutural (Organização da frase): Relacionado à construção das frases e à ordenação das ideias. Frases mal estruturadas, com ideias truncadas ou desorganizadas, dificultam a compreensão. Exemplos:

  • Frases fragmentadas: Falta de elementos essenciais para a compreensão da mensagem.
  • Queísmo: Uso excessivo da conjunção “que”.

Reconhecer e corrigir os desvios de linguagem é fundamental para aprimorar a comunicação. O estudo da gramática normativa, a leitura constante e a atenção à própria fala e escrita são ferramentas essenciais para evitar esses tropeços e garantir uma comunicação clara, eficaz e elegante. Afinal, dominar a linguagem é dominar o poder da expressão e da conexão humana.