Quais são os princípios da coerência?

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Princípios da Coerência Textual:

  • Não contradição
  • Não tautologia
  • Relevância
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Os Princípios da Coerência Textual: Muito Além da Ausência de Contradição

A coerência textual, frequentemente confundida com a correção gramatical, é a propriedade que garante a unidade de sentido de um texto. Ela vai além da simples ausência de erros e implica a construção de um significado lógico e compreensível para o leitor. A coerência é construída a partir de diversos princípios interligados, que trabalham em conjunto para criar um todo significativo. Embora listas simplificadas citem “não contradição”, “não tautologia” e “relevância”, uma análise mais profunda revela uma complexidade maior, que envolve fatores pragmáticos e cognitivos.

1. Não Contradição: Esse princípio é fundamental e, de fato, crucial para a coerência. Um texto contraditório apresenta informações que se opõem diretamente, gerando incompreensão e invalidando a argumentação. A contradição pode ser explícita, com afirmações que se negam mutuamente, ou implícita, surgindo de inferências conflitantes. Por exemplo, afirmar que “o céu está azul e ensolarado, mas está chovendo torrencialmente” é uma contradição explícita. Já a afirmação “Maria é uma pessoa muito organizada, mas sua casa é um caos” pode gerar uma contradição implícita, dependendo do contexto e da interpretação do leitor. A não contradição, portanto, exige consistência interna nas informações apresentadas.

2. Não Tautologia: A tautologia, a repetição desnecessária de informações, é um obstáculo à coerência, pois não acrescenta significado ao texto. Enquanto a repetição estratégica pode auxiliar na ênfase ou clareza, a tautologia gera redundância e torna a leitura cansativa e pouco informativa. Dizer “a bola é redonda e esférica” é um exemplo claro de tautologia, pois “redonda” e “esférica” são conceitos praticamente sinônimos nesse contexto. A busca pela concisão e pela variedade lexical é crucial para evitar a tautologia e garantir a fluidez textual.

3. Relevância: A relevância é talvez o princípio mais abrangente e complexo. Um texto coerente apresenta informações relevantes para o tema central e para o desenvolvimento da argumentação. Informações irrelevantes quebram a continuidade do raciocínio, distraindo o leitor e prejudicando a compreensão do texto. A relevância está intrinsecamente ligada à intenção comunicativa do autor e às expectativas do leitor. Um parágrafo sobre a história da culinária francesa seria irrelevante em um texto sobre a produção de petróleo, a menos que exista uma conexão explicitamente estabelecida e justificada entre ambos.

Além dos Princípios Básicos:

Os princípios acima, embora importantes, não esgotam a questão da coerência. Outros fatores contribuem para a construção de um texto coerente:

  • Progressão temática: O texto precisa progredir de forma lógica, introduzindo novas informações de forma organizada e relacionada às anteriores.
  • Coesão: A coesão, embora distinta da coerência, é fundamental para a sua construção. Ela se refere aos mecanismos linguísticos (conjunções, pronomes, etc.) que explicitam as relações entre as partes do texto, contribuindo para a clareza e a unidade.
  • Contexto e conhecimento de mundo: A compreensão da coerência depende também do contexto em que o texto é produzido e do conhecimento de mundo compartilhado entre autor e leitor. Um texto coerente para um especialista pode ser incompreensível para um leigo, e vice-versa.

Em conclusão, a coerência textual não é um conceito simples e linear. Ela resulta da interação de diversos princípios, que trabalham em conjunto para garantir a unidade de sentido e a compreensibilidade do texto. A busca pela coerência exige do autor uma cuidadosa construção textual, levando em conta tanto os aspectos linguísticos quanto os fatores pragmáticos e cognitivos envolvidos no processo de comunicação.