Quantas pessoas têm o imperativo?

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O modo imperativo, em português, se limita às segundas pessoas do singular e do plural. A forma verbal varia para indicar a quantidade de destinatários: tu (singular) e vós (plural). Exemplos: Insere tu e Inseri vós; ou Liga tu e Ligai vós. Não existem formas imperativas para a primeira ou terceira pessoa.

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O Imperativo Esquecido: Por Que Só Falamos para o “Tu” e o “Vós”?

Quem nunca se pegou pensando nas nuances da língua portuguesa, especialmente em um modo verbal tão peculiar quanto o imperativo? Ele surge como um atalho direto para dar ordens, fazer pedidos ou oferecer conselhos, mas com uma peculiaridade que, para muitos, passa despercebida: o imperativo, em sua forma “pura”, só se dirige ao “tu” e ao “vós”. Mas por que essa limitação? Quantas pessoas, afinal, estão “no comando” do imperativo?

A resposta curta é: duas. O imperativo, em sua essência, é um diálogo entre o falante e o “tu” (singular informal) ou o “vós” (plural informal, embora em desuso no Brasil). É uma conversa direta, um apontar o dedo (figurativamente, claro!) para o indivíduo ou o grupo a quem a ação se destina.

A Ausência Deliberada do “Eu”, “Ele/Ela”, “Nós” e “Eles/Elas”

A ausência das outras pessoas gramaticais no imperativo não é um mero capricho da gramática. Reflete a própria natureza do comando. Você não pode dar uma ordem a si mesmo, a não ser em um monólogo interno, que entra em outro domínio da linguagem. Da mesma forma, não se ordena a terceiros diretamente. Você pode solicitar, pedir a alguém que faça algo por você, mas a ordem em si, a imposição, recai sobre o “tu” ou o “vós”.

E o “nós”? A forma “vamos”, frequentemente usada como imperativo, é, na verdade, uma adaptação do subjuntivo. Usamos o “vamos” para expressar um convite, uma sugestão para que façamos algo juntos. Não é uma ordem imposta, mas sim uma proposta de ação conjunta.

O Imperativo na Prática e a Revolução da Cortesia

Se a gramática “pura” limita o imperativo ao “tu” e “vós”, a língua falada, sempre dinâmica, encontrou maneiras de contornar essa restrição, usando estratégias de cortesia. Em vez de “Faça isso!”, dizemos “Por favor, faça isso” ou “Você poderia fazer isso?”. Transferimos a carga da ordem para um pedido, suavizando a imposição.

Outra estratégia comum é o uso do subjuntivo para suavizar o imperativo. Em vez de “Pegue o livro!”, dizemos “Que você pegue o livro!”, transformando a ordem em um desejo, uma expectativa.

Um Modo Verbal em Transformação

O imperativo, mesmo com suas limitações gramaticais, continua sendo uma ferramenta poderosa na comunicação. Ele se adapta, se reinventa, e demonstra a constante evolução da língua portuguesa. Apesar de, teoricamente, se restringir ao “tu” e ao “vós”, a criatividade dos falantes permite que ele se expanda, alcançando diferentes graus de formalidade e expressando uma gama variada de intenções.

Em resumo, a resposta à pergunta “Quantas pessoas têm o imperativo?” é: duas. Mas a riqueza da língua portuguesa nos mostra que essa limitação é apenas o ponto de partida para um universo de possibilidades expressivas. O imperativo, mesmo restrito, continua a nos desafiar e a nos convidar a explorar os meandros da comunicação humana.