É correto dizer haviam?
A concordância verbal com haver impessoal depende do contexto. Havia é usado quando o verbo haver é impessoal, indicando existência ou tempo decorrido. Haviam, por outro lado, é empregado quando o verbo haver é pessoal, concordando com o sujeito plural. Ambas as formas são gramaticalmente corretas, mas seu uso varia conforme a situação.
“Havia” ou “Haviam”: Desvendando o Mistério do Verbo Haver e a Concordância Verbal no Português Brasileiro
A língua portuguesa, com sua riqueza e nuances, frequentemente nos coloca diante de dúvidas gramaticais que podem parecer complexas. Uma dessas dúvidas recorrentes diz respeito ao uso correto do verbo “haver”: quando usar “havia” e quando optar por “haviam”? A resposta, embora envolva algumas regras, é mais simples do que parece.
A Chave Está na Impessoalidade
A concordância verbal com o verbo “haver” gira em torno do conceito de impessoalidade. Em termos simples, um verbo impessoal não possui um sujeito determinado. Ele se refere a situações genéricas, sem uma pessoa específica que pratique a ação. É aqui que a mágica acontece.
“Havia”: O Impessoal em Ação
Quando o verbo “haver” é utilizado de forma impessoal, ele se mantém na terceira pessoa do singular, ou seja, “havia”. Isso ocorre principalmente em dois contextos:
- Indicando Existência: Nestes casos, “haver” equivale a “existir” ou “acontecer”.
- Exemplo: Havia muitos problemas a serem resolvidos na empresa. (equivale a: Existiam muitos problemas…)
- Indicando Tempo Decorrido: Aqui, “haver” expressa um período de tempo que já passou.
- Exemplo: Havia dez anos que não a via. (equivale a: Fazia dez anos…)
Note que, nesses exemplos, mesmo que o complemento do verbo seja plural (“muitos problemas”, “dez anos”), o verbo “haver” permanece no singular. Isso porque ele não está concordando com esse complemento, mas sim expressando uma ideia impessoal de existência ou tempo.
“Haviam”: Quando o Sujeito Entra em Cena
A forma “haviam” é utilizada quando o verbo “haver” deixa de ser impessoal e passa a ser um verbo pessoal, ou seja, quando ele possui um sujeito claro e determinado com o qual deve concordar. Essa situação é menos comum, mas pode ocorrer em construções específicas.
Geralmente, isso acontece quando o verbo “haver” é utilizado como auxiliar de outro verbo, em locuções verbais.
Exemplo: Os alunos haviam terminado a prova quando o professor chegou.
Nesse caso, “haviam terminado” é uma locução verbal. O verbo “haver” é um verbo auxiliar, ajudando a conjugar o verbo principal, “terminado”. O sujeito da frase é “os alunos”, que é plural. Portanto, o verbo “haver” concorda com esse sujeito e assume a forma “haviam”.
Para Evitar Confusões:
- Substitua por “Existir”: Se você puder substituir “haver” por “existir” e a frase continuar fazendo sentido, provavelmente o uso correto é “havia”.
- Identifique o Sujeito: Se o verbo “haver” estiver acompanhando outro verbo (locução verbal) e houver um sujeito claro e plural, utilize “haviam”.
Em Resumo:
- Havia: Verbo “haver” impessoal, indicando existência ou tempo decorrido (equivalente a “existir” ou “fazer”). Não concorda com o complemento.
- Haviam: Verbo “haver” pessoal, funcionando como auxiliar em uma locução verbal e concordando com o sujeito plural.
Dominar essa nuance do verbo “haver” não apenas aprimora a precisão da sua escrita, mas também demonstra um cuidado com a norma culta da língua portuguesa. Lembre-se que a prática leva à perfeição, então continue observando, lendo e escrevendo para internalizar essas regras e se expressar com cada vez mais clareza e elegância.
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